Agrotóxicos, defensivos
agrícolas, pesticidas, praguicidas, desinfestantes, biocidas, agroquímicos ou produtos
fitofarmacêuticos ou ainda produtos fitossanitários) são
designações genéricas para os vários produtos químicos usados naagricultura. A Organização
Mundial da Saúde (OMS)
define pesticide ou plaguicida como toda substância capaz de
controlar uma praga, em sentido amplo, que possa oferecer risco ou incômodo às
populações e ambiente.
É uma
substância ou mistura de substâncias destinada a impedir a ação ou matar
diretamente insetos (inseticidas), ácaros(acaricidas), moluscos (moluscicidas), roedores (rodenticidas), fungos (fungicidas), ervas daninhas (herbicidas), bactérias (antibióticose bactericidas) e outras formas de vida animal ou vegetal
prejudiciais à saúde pública e à agricultura, isto é, consideradas comopragas e, portanto, suscetíveis de serem
combatidos durante a produção, armazenamento, transporte, distribuição e
transformação deprodutos
agrícolas e seus
derivados. Entre os agrotóxicos também se incluem os desfolhantes, dessecantes e as
substâncias reguladoras do crescimento vegetal ou fitorreguladores. Também podem ser incluídos os fertilizantes sintéticos, hormônios e
outrosagentes químicos do crescimento, bem como fontes concentradas
de estrume animal cru.
O agrotóxico não é uma subdivisão de uma classe de
produtos químicos, os agroquímicos, da qual se destaca por apresentar real
toxicidade humana, animal ou ambiental. Seu uso é estritamente regulamentado e
somente pode ocorrer sob prescrição e supervisão de um agrônomo. Os
agroquímicos são usados para controlar pragas ou doenças que de outra forma
inviabilizariam as plantações afetando todo o suprimento de alimento das
grandes populações urbanas. Existem diversos tipos de agroquímicos que agem
sobre insetos, fungos, ácaros e ervas daninhas. O problema é que num passado
recente houve um mal uso de reais agrotóxicos persistentes, os organoclorados.
Um organoclorado como o BHC pode resistir na natureza e no organismo humano por
mais de trinta anos, se tornando num dos piores poluentes da historia. Ocorreu
que quando seus malefícios e sua persistência foram descobertos, havia toda uma
atitude de inocência coletiva em relação a eles. Chegou-se ao ponto em que
médicos bem intencionados prescreviam o uso de DDT, outro organoclorado
perigoso, para o controle de verminoses e piolhos. Um resquício cultural desses
tempos está no termo “dedetizar” que usamos quando nos referimos a expurgar
baratas, moscas e outras pragas domesticas que ameaçam nossa saúde. Dedetizar
se refere ao tempo em que as casas eram pulverizadas com DDT sem que se
soubesse do risco.
Os diversos agroquímicos e dentre eles os
agrotóxicos podem ser inseticidas, fungicidas, acaricidas, hematicidas,
herbicidas, bactericidas, vermífugos. Podem ainda ser tóxicas os solventes,
tintas, lubrificantes, produtos para limpeza e desinfecção de estábulos e
outros.
Convém lembrar que muitos dos mesmos princípios
ativos usados como agroquímicos, e mesmo agrotóxicos, são também usados como
medicamentos humanos diferindo apenas na concentração e forma de apresentação.
Milhões de vidas tem sido salvas de verminoses, doenças fúngicas e varias
outras por medicamentos que usam exatamente as mesmas moléculas usadas de outra
forma para o controle de pragas e doenças agrícolas, pecuárias e também de
animais de estimação.Agrotóxicos são um dos meios técnicos(junto com a mecanização)
que possibilitaram a Revolução Verde.
Os agrotóxicos de longa persistência que foram
usados no passado atualmente estão banidos, pois além de serem compostos de
alta toxicidade aos seres humanos,também persistem por vários anos nos ecossistemas,
causando sérios desequilíbrios. Não é mais possível encontrá-los no mercado, e
sua posse, transporte e uso são crimes previstos em lei com punição de multa,
cadeia e destruição das lavouras onde tenham sido usados.
Quando usados fora das estritas especificações, os
agrotóxicos podem mesmo representar graves conseqüências para nossa saúde e
meio ambiente. O mecanismo mais comum de funcionamento dos agroquímicos e
agrotóxicos é a inibição da enzima aceticolinesterase, o que leva a um excesso doneurotransmissor acetilcolina,
produzindo um colapso sináptico generalizado e a morte do inseto por asfixia.
Como esse mecanismo de ação implica riscos humanos e animais, além de matar
insetos benéficos e desejáveis, grandes verbas têm sido empregadas no
desenvolvimento de novas moléculas com alta seletividade quanto às pragas alvo.
São substâncias atóxicas aos mamíferos e à maioria dos insetos, mas letais para
a praga específica a que se destina. Um exemplo são os inseticidas fisiológicos
inibidores da síntese de quitina. Eles atuam somente sobre as lagartas nas plantas
pulverizadas, inibindo aecdise (troca de exoesqueleto), sem afetar nenhum outro
inseto, nem mesmo os adultos dessas pragas, nem outras pragas que estejam
atacando a mesma lavoura ou insetos que habitem as matas próximas.
No Brasil
Existem cerca de 15.000 formulações para
400 agrotóxicos diferentes, sendo que cerca de 8.000 encontram-se licenciadas
no Brasil, que é o MAIOR consumidor de agrotóxicos no mundo, segundo a
Anvisa - Agência Nacional de
Vigilância Sanitária. O Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos
de Alimentos apontou problemas de contaminação em vários produtos agrícolas,
como opimentão, o morango e o pepino, que lideraram o ranking dos alimentos com o maior número de
amostras contaminadas, em 2010. Nessas amostras a Anvisa detectou a presença de
resíduos de agrotóxicos acima do permitido e o uso de agrotóxicos não autorizados
para essas culturas.
Classificação
Existem uma série de possibilidade de classificação
dos agrotóxicos, as principais dizem respeito ao seu tipo, sua classe
toxicológica e sua composição. Os agrotóxicos de uso agrícola podem ser
classificados de acordo com o seu tipo em:
§
Inseticidas:
combatem as pragas, matando-as por contato e ingestão;
§
Fungicidas:
agem sobre os fungos impedindo a germinação, colonização ou erradicando o
patógeno dos tecidos das plantas;e não prolonga sua vida.
§
Herbicidas:
agem sobre as ervas daninhas seja pré-emergência como pós-emergência.
A Organização Mundial da Saúde (OMS)
classificou os efeitos tóxicos dessas substâncias em classe I (extremamente
perigosos) até a classe IV (muito pouco perigosos). A maioria dos agrotóxicos
de Classe I é proibida ou estritamente controlada não só no mundo
industrializado mas também no Brasil, Argentina e outras potências agrícolas, embora possam não
o ser em países emergentes onde os agrotóxicos de classe I estão, muitas vezes,
livremente disponíveis em lugares que não têm os recursos para o uso de
produtos mais seguros.
No Brasil, de acordo com o Decreto nº 98.816/90, os
agrotóxicos podem ser classificados conforme sua classe toxicológica, em:
§
Classe I
- Extremamente tóxicos - Faixa vermelha
§
Classe
II- Altamente tóxicos - Faixa Amarela
§
Classe
III - Mediamente tóxicos - Faixa Azul
§
Classe IV
- Pouco ou muito pouco tóxicos - Faixa Verde
Os organofosforados e carbamatos são
inseticidas mais utilizados atualmente a também são absorvidos pelas vias oral,
respiratória e dérmica. Seus efeitos são alteração do funcionamento dos
músculos cérebro e glândulas.
As piretrinas são
inseticidas naturais ou artificiais. São instáveis à luz e por isso não se
prestam à agricultura. São usados em ambientes domésticos na forma de spray,
espirais ou em tabletes que se dissolvem ao aquecimento. São substâncias
alergizantes e desencadeiam crises de asma e bronquites em crianças.
O herbicida Paraquat oferece
grande risco se mal utilizado. É um herbicida que mata a parte aérea de todos
os tipos de plantas, não afetando seu sistema radicular. Porém, é um íon
altamente instável que se decompõe rápidamente sem deixar resíduos. Na ausência
de procedimentos regulamentares, contaminações com a substância causam lesões
nos rins. Resíduos concentram nos pulmões, causando fibrose irreversível.
Os principais clorofenóis são
o 2.4-D e o 2.4.5-T, que são cancerígenos.
O agente laranja, usado na Guerra do Vietnã, é uma mistura do 2.4-D e
do 2.4.5-T.aaaal.
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